8 de out de 2014

Agonia e Êxtase


 Atentamente, observar a folha que cai,
morta, relutante ainda, sobrenadando no ar
que a propele.
Auscutar-lhe os tropeços, trapos de brisa...
Cúmplice inerte do vento úmido,
gélido de inacessibilidade,

Imóvel, a folha cai,
Brota em êxtase sua agonia
de seiva errante.
Goteja ao solo enfim, serena,
serenada - ser em nada.

Parte intrínseca do humus, rica
de podre, ela vivifica.
Revigora a força,
ratifica a rota,
caule acima, rumo à vida.
........................................
Seu sono de folha, em sonho,
arranca o urro, berro de verde,
de vingança, de vigília, de visgo
vertente - vegetal vibrando em vento
na mata.


(Geraldo Luiz Robusto Fonte, Rio de Janeiro - RJ)

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