28 de out de 2014

Soneto


(Ao Conde de Ericeira, D. Luis de Meneses,
pedindo louvores ao poeta não lhe achando ele préstimo algum)


Um soneto começo em vosso gabo;
Contemos esta regra por primeira,
Já lá vão duas, e esta é a terceira,
Já este quartetinho está no cabo.

Na quinta torce a porca o rabo:
A sexta vá também desta maneira,
Na sétima entra já com grã canseira,
E saio dos quartetos muito brabo.

Agora nos tercetos que direi?
Direi, que vós, Senhor, a mim me honrais,
Gabando-vos a vós, e eu fico um Rei.

Nesta vida um soneto já ditei,
Se desta agora escapo, nunca mais;
Louvado seja Deus, que o acabei.


(Gregório de  Matos)

Dilúcida Noite dos Embriagados


Olhando para a estrela,
mais cintilante e longínqua,
tão viva e radiante,

perguntei,
do fundo de todo ser 
que poderia eu ser,
"será que me vês como eu te vejo?"

e do fundo
de um fundo
ainda
mais profundo

o esplendor celeste
a questionar meu mundo,

"não vejo, mas te tomo à flor das luzes.
e tu, será que sentes como eu te sinto?"


(Cássio D. Versus)

18 de out de 2014

;)



(Fraga, Revista Tchê / 1985)

13 de out de 2014

Sonho


Por noites sombrias, sem rumo, a caminhar,
Vagueia - pobre infortúnio - um ser audaz;
Busca, em vão, para salvar-se, a luz solar,
Volúpia de sonho, que tanto bem lhe faz.

Mas na esteira das vagas se perde o incapaz,
De um mar de angústias, e na frigidez polar
Das tristezas num deserto de cor lilás,
Sem jamais conseguir, e sem jamais tentar.

Tamanho desespero, um rio de luz avista,
Sobressaindo-se às nuvens da obscuridade,
E corre afoito para esse sonho egoísta.

Porém, ao chegar, ofegante, ao fim da pista,
Esvai-se entre seus dedos a oportunidade,
E nas tristes gotas morre a felicidade.


(Ricardo Miguel Tamura, São Paulo, 19 anos)

8 de out de 2014

Cuidados


não deixe teu nome
jogado sobre a toalha da mesa
ou preso
à baba da minha boca imunda.
cuida teu corpo
na necessidade que tens
das palavras,
na vontade que tens
dos teus esquecidos desejos.
cuida tua mente
teus olhos
e deixa que do resto
cuidam tuas secretas verdades.

acorda do sonho que não é teu
e vive o instante
que teu desejo
desespera.


(Gustavo Neiva Coelho, Goiás - GO)

Agonia e Êxtase


Atentamente, observar a folha que cai,
morta, relutante ainda, sobrenadando no ar
que a propele.
Auscutar-lhe os tropeços, trapos de brisa...
Cúmplice inerte do vento úmido,
gélido de inacessibilidade,

Imóvel, a folha cai,
Brota em êxtase sua agonia
de seiva errante.
Goteja ao solo enfim, serena,
serenada - ser em nada.

Parte intrínseca do humus, rica
de podre, ela vivifica.
Revigora a força,
ratifica a rota,
caule acima, rumo à vida.
........................................
Seu sono de folha, em sonho,
arranca o urro, berro de verde,
de vingança, de vigília, de visgo
vertente - vegetal vibrando em vento
na mata.


(Geraldo Luiz Robusto Fonte, Rio de Janeiro - RJ)

A Coragem de Ser Poeta


Para onde foi a minha coragem de se ser gente?
Para onde foi aquele sonho dourado?
Um lápis,
O papel.
Aquelas palavras por vezes lindas,
Para onde foi o meu cavalinho azul?
O olhar do Carlitos?
As nuvens de algodão doce
e a chama da vela?
Acabaram com eles,
Com meu lápis e meu papel,
Meu sonho foi derrotado,
Meus olhos vendados,
Minha boca, amordaçaram.
Só meu coração ainda bate forte,
só ele ainda luta por mim.


(Giovanna Ferreira Dealtry, Rio de Janeiro - RJ)
 

Existencial


Na duvidosa certeza do encontro
neste misto de esperança e desencontro
viajo na vida
por ruas sem saída
Mas
nas alamedas do insólito
desemboco em avenidas
talvez verdes campos ilimitados
na sôfrega procura
           de que?
de quem?
na trilha do sonho
na vermelha imensidão da febre
sem saber por que
e como


(Geraldo Maranhão, Rio de Janeiro - RJ)

Encontro


Néctar dos meus pensamentos
Nem sonho nem fantasia
Mas o encontro do dia-a-dia

Vamos dançar e sentir
a música cósmica do universo
A Verdade que nos intimida
A afinidade que nos aproxima
E a compreensão que nos eleva

Rendo-me diante de tua plenitude e do teu silêncio
Manto do meu ser espiritual
De aura misteriosa e angelical
És como verso e prosa
De um poema buscado e cantado
Dentro e fora de mim


(Florisvaldo A. Galvão, Itabuna - BA)

Sobre as Mágicas


Ser um morcego
e estender as ansiosas asas de pele
através da noite!
Que me importa teu nojo?
certamente não entraria em tua casa
nem em casa alguma;
iria sim
pelas torres escuras,
pelas copas das árvores,
folhas, folhas,
frutos...
iria pela noite dos desejos e dos bruxos
onde os homens dormem.
Quem me importam os homens?
que me importam?
Importa o vôo,
a miragem
e o cheiro dos insetos
invadindo meu focinho,
enquanto a brisa fresca vai
acariciando-me as pulgas do pelo,
companheiras
na solidão eqüina.
As caretas, as vozes guturais,
o pipilar, os cumes, os hiatos,
os mergulhos no vazio
o calendário das seivas
e das beberragens...
Amanhã, a madrugada
apareceria sem pena de nós;
o "eu" morcego entraria
num sacrário de pedras
para dormir com seus irmãos,
todos de ponta cabeça,
pendurados
sobre as mágicas.


(Eloah Margoni de Souza, Campos - RJ)

Ciência


- Você é o parceiro perfeito, eu só tenho que te acompanhar.
Disse a coruja com fé no coração da verdade que sobrevivíamos.

E caímos. Para longe um do outro.


(Nuvens & Aves Noturnas, Cássio D. Versus / 2010)



(Paul Géraldy, "Toi et Moi")

Maybe


(...)

"...creio que não precisamos resistir as lembranças, ainda nos gostamos e só uma coisa poderia mudar isso: nos mudarmos, o que não ocorreu. Podemos começar de outra maneira. Evolução, poeta! E está consumado o que se consumou. Admiramo-nos, isso permanece. Os jogos, as provas de amor, são coisas de namoros. Não temos, não precisamos. Falando nisso, meu final de semana foi ótimo. Foi bem intimista, só para os mais chegados. Não parei para refletir sobre ficar mais velha. Nem pretendo. Aliás, gosto de sentir que vivo além, e isso é o elísio para mim. Tenho até mais experiência de vida e anos que esses vinte e dois. Espero chegar aos sessenta com muitas histórias, e pessoas, filmes, escritas.. Creio que este teu fim de semana que descreveu-me na carta anterior muito assemelha-se a um meu. Em novembro de 2007.. Os três meses seguintes foram de total experimentação. Fiquei na época um pouco fora de controle. Parece que a vida caminha a ponteiros curtos no relógio. Minha iniciação.. Foi um processo gradual, de meses, dias. Cada detalhe, foi gradual.

E esse tórrido fim de semana foi com a modelo? Ah, foi a soma das outras.. (risos) .. Pelo jeito que falou, apenas imaginei... E bem sabes, tenho grande capacidade de imaginação.. Mas sei até onde ela atua. E quando atua..! (risos) ... Mas não se preocupe, não irei invadir conscientemente os campos da razão. Bêbada, sóbria, faço-me de despudor quando desejo em todos os sentidos. Sei que me compreendes, despudor não é sinônimo de obviedade, ou descaradamente. Bom, apenas resolva o que tiver de resolver, .. é mais necessário que nosso deleite daqui. (...) Não há perversidade em adorar o sexo. (...) Algo que não ficaria legal se programado... Sou mais tradicional do que imaginas quanto a experiências sexuais. O que não significa que eu seja fechada à possibilidades (grupos, mulheres, amigos), e à imaginação (eternamente!). Creio ser esse teu caso, também.. Até porque fazer bem não significa gostar de tudo, como muitos acreditam. Sexo bom não é aquele dos filmes pornôs... Assim como felicidade não é aquela do comercial de margarina. Não há prazer maior que seu pensamento ser ecoado como pétalas daquela nossa flor-de-cerejeira.. (...) Roube pedaços. Não me pertencem. De fato, devolva-os para o mundo. É da onde nasceram ou se consumiram em mim. Reflexo do meu interlocutor.. Adorável é você.. Digno de ser até venerado,.. mas deixemos isso para os idólatras..

Bom, o dia foi um pouco longo para minha disposição. Antes, porém, deixo um beijo leve em teus lábios de boa noite. Na duração que quiser. Aproveitarei pensando em ti, já que de ti partem os votos, dormirei bem por isso. Suculentos deletérios... Faça com as escolhidas que cruzam teu caminho a honra de serem tuas,.. e que meus desejos se representem nelas, também. Na mais frágil pétala que desabrochar-se, revelada por entre as pernas doces que o abrigarão, cuidarão de ti; E quando sorrir por encontrar-me, saberá por onde irá reconhecer-me...


Pour mon petit; Cássio."


Liessa D. Nora (2009).

7 de out de 2014

Tuas Cores: Verde & Amarelo


"Ando distante de ti. Talvez não corresse tudo muito bem caso estivesse mais próxima. Sei como estamos. Não domino distâncias. Queria viver dedicando-me aos sonhos. Dreamers como éramos. Tua eterna Isabelle. Merecemos mais que este vil e mal tratado quotidiano. Brusco. Lancinante. Realidade enfadonha, não quero esta garota com cicatrizes urbanas para ti, mesmo que talvez a mereça assim. Enfim, és teimoso como eu. O que andas fazendo em tuas madrugadas? No começo das noites penso sobre ti, o que representas, e ainda sinto o magnetismo da tua presença. Me acostumei a não tê-lo constantemente, confesso, como bem querias até, somente as estrelas das vagas madrugadas testemunharam como fiquei refém de minha paixão por ti, sempre desejando acordar ao teu lado, receber teus telefonemas (que costumas negar-me com frequência, inclusive), estar perto de teu endereço, coração, cama... (...) Um dia presenteie meus ombros com tua delicadeza, irei adorar. Não saírei completa desta vida sem entregar o meu olhar a tua face mais uma vez, creio em tuas palavras e isto me basta para enxergar a beleza do teu ser, sei quem estou dialogando. Não enxergaria libélulas pousando em meus dedos sem antes admirar-te."


Liessa D. Nora (Final de 2008).

Mr. Sandman


"Aprenderás que muitos não podem ter a felicidade que desejam pois já enlaçaram-se com a realidade crua, nua e maldita ao redor de seus sonhos intangíveis e irrealizáveis. Viver pode significar morrer diáriamente. De qualquer maneira espalhe o teu prazer pela casa inteira, derrame o teu mel em todas as paredes, cômodos, deixe tuas tristezas e culpas para teus diários, ou menininhas que finjam importar-se com seus prantos exorcizados em poemas (alguma lê, afinal, 'petit'?) quando na verdade nem estão ali, sou eu a errada, lembras? Não tens obrigação moral e religiosa de manter uma família, filho, mulher, - ou marido, em meu caso, - tens sorte de ser livre. Deixe que apenas minha consciência naufrague na voragem da culpa e embaraço, és jovem, acredito que terás crimes piores para ocupar a tua mente do que este amor que cometemos. Todos precisam ser salvos de alguma coisa. 

Quem possui o direito de saber a verdade?"


Luciana C. D. Para C. D. Versus (2008).

Abismo


"Nem em milhares de vidas saberíamos decifrar nosso encontro, para compreendermos sequer um minuto desse caos contagioso em harmonia divina que os universos dançam incessantemente precisaríamos frequentar os infinitos, e talvez mais. Quem saberia ver a dor que sentimos como tormentas que encaminham nossos navios à terras perdidas? Voltaste ao teu ponto de origem, querida? Levo as surras da vida feito declarações de amor do mundo..."

Para Milune.


(Cássio D. Versus, Fevereiro de 2007)

6 de out de 2014

Basicamente, é isto


"Quando estiveres na presença de uma mulher, quer seja a tua mãe ou o grande amor da tua vida ou alguém que estás a entrevistar para um emprego, certifica-te que ela se está a sentir o centro do teu mundo."



4 de out de 2014

Gentleman Who Fell


I feel your closeness
like a shotgun
a chill within my soul
I touch your finger
know your darkness
your passion takes its' toll

can't see that this talk is cheap
let the suffering go


(Milla Jovovich)