30 de mai de 2011

Vênus


a vida drena
e você tão plena
me enche de amor

assim reaprendo
longe do limo
nem tudo é torpor

da verdade serena
renasço tão vivo
enchido de ardor
 
vontade de viver
meu maior prazer
teu coração de colaborador


(Cássio D. Versus)

26 de mai de 2011

(14/08/1932)


Vinha elegante, depressa,
sem pressa e com um sorriso,
E eu, que sinto co'a cabeça,
Fiz logo o poema preciso.

No poema não falo dela
Nem como, adulta menina,
Virava a esquina daquela
Rua que é a eterna esquina.

No poema falo do mar,
Descrevo a onda e a mágoa.
Retê-lo faz-me lembrar
Da esquina dura, ou da água.


(Fernando Pessoa)

(23/05/1932)


A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
Existir como eu existo.

A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.


(Fernando Pessoa)

10 de mai de 2011

Aniversário


um coração
na mão
uma vela
no bolo

um ano
a mais
um ano
a menos

assopra
a chama
que a vida
te assopra


(Cássio D. Versus)

7 de mai de 2011

Caravela [redescobrimentos]


Do livro "Caravela [redescobrimentos]" de Gabriel Bicalho


marinha VI

e
no
mar
sereno
sem remo
sem rumo
sem rumor
:
vê-las soltas ao sol
as brancas velas
do amor


marinha X

e
agora
ancora
em teu peito
(porto perfeito)
meu barco
à deriva
!


marinha XI

quebra-mar
quebra mar
quero amar
sem bramar
abrandar
sem bradar
quebrantar
sem quebrar


marinha XII

o amor se faz
entre nós
na rede
e em paz


marinha XIII

e
tê-la
domada
(amada)
estrela
do mar
!


marinha XIX

balé na areia
:
baila com a morte
a baleia
!


marinha XXV

algo
de
alga
nos teus verdes
olhos de náufraga


marinha XXVII

abismo
marinho
:
cavá-lo
sozinho


marinha XXXII

sem reta
nem rota
paira
sobre a
praia
meu sonho
gaivota


marinha XXXIV

vago vago
vagarosamente
pelas vagas
deste mar
que me navega
:
náufrago
de mim mesmo!


marinha XXXVI

no cais
ou
no caos
mergulho
em mim
mesmo

...

Declaração de Amor


E se
eu for
Jura que
Também vai
Se foder?


(Cássio D. Versus)

3 de mai de 2011

Ado


Quando o meu corpo morrer
Me separa desta alma no ato
Quero no partir desvanecer
Sem leito ou julgamento gabado,

Me joga no rio ou na corrente do vento,
Me deixa dissipar realengo no espaço -
Pra que me mandar pro paraíso jurado
Se está nesse arvoredo meu enobrecimento?

E se pagar pelos pecados é o que mereço
Então que venham tirar-me a razão! -
De querer ser punido na seiva do berço
A divagar eternamente feito ar sem salvação


(Cássio D. Versus)

Ocorreu um erro neste gadget