26 de fev de 2015

Frequência


Suave o ponteiro
Leve enfim
Que embora leva
Um eu sem mim


(Cássio D. Versus, 2006)

Verde Prateado



Minha casa...

 lobo e serpente
telhas de bruma
pedra e pluma

...eu somente.


(Cássio D. Versus, 2006)

23 de fev de 2015

(In)Sensatez


daquela loucura maravilhosa
quero muitas lembranças
e nenhum vestígio


(Mauro Sta. Cecília)

Autobiografia


Era um cara romântico
Tão radical
Que se tornou um solitário
incurável


(Mauro Sta. Cecília)

20 de fev de 2015

Da natureza do escorpião


Fazer do seu jeito,
corromper se preciso,
mas sempre por uma (sua) boa causa.
Questão de precisão
de vida e de morte
porque o que não é, só pode ser errado.


(Mariza Tavares)

14 de fev de 2015

Trato


É claro que você corre perigo.
Qual graça teria se fosse diferente?
Sua alma vai se liquefazer,
virar néctar,
descer macia em minha garganta.
É preço justo.
Fruto de negociação honesta.
O fim em troca do deleite.


(Mariza Tavares)
 

9 de fev de 2015

Assassinato nas Ilhas Gregas


E de repente, lendo algumas páginas daquele livro que encontrei num velho e querido sebo (ainda no plástico apesar de seu suposto lançamento ocorrido há dez anos ou mais, eleito presente de uma amiga), escrito por um garoto com 15 anos na época, deparo-me com esta belíssima carta (ou tenebroso bilhete) na trama..:

"À estimada senhorita Wilkerson

Não quero que fique aflita, querida. Antes,
quero que se prepare para uma longa viagem.
Deve estar se perguntando do que se trata. Trata-se de
um presente que vou lhe oferecer: uma viagem ao
mundo dos mortos.
Conta-se que a deusa Winness teve o privilégio de conhecer
o inferno e ao voltar escreveu: 'Os mortos,
despojados de tudo devido à passagem pelas sete portas,
que lhes permitem atravessar sete barreiras sucessivas,
dormem ao pé da grande barba do inferno,
cobrem-se com pó e alimentam-se de areia. Cercados
por trevas profundas, vigiados por demônios, que
constantemente lhes trazem tormentos... não podem,
para a maior tranquilidade dos vivos, voltar à terra.
A diversão situa-se ao Lago do Urro...'
Minha cara Valkíria, não gostaria de fazer a mesma
viagem da deusa Winness?
Querendo ou não, minha querida, eu te mandarei para o inferno!

UM ABRAÇO:

BELZEBU"


(Joseph Vaughan)

6 de fev de 2015

Viver Mais



No mundo poluído de hoje
onde tantas florestas se transformam em desertos,
onde tantos rios se tornam esgotos,
onde tantas flores são asfixiadas,
nada mais necessário,
nada mais urgente,
nada mais benfazejo
do que ouvir a lição das árvores,
a lição da vida.

As árvores descem raízes no silêncio da terra.
O homem moderno abandonou as raízes,
esqueceu os fundamentos, esqueceu-se.
Existem sem pátria, sem lar, sem fé,
sem esperança, sem amor.
Não vive, apenas sobrevive.
Não sustenta a vida, apenas luta contra a morte.
Por isso, não resiste às tempestades,
tomba, murcha e desfalece.
É preciso reviver as raízes,
                 reencontrar o fundamento,
                 redescobrir a fonte e a última
                                       finalidade da vida.

As árvores crescem silenciosamente,
sabem esperar, são esperança.

Que exemplo para nosso mundo enlouquecido
                 pela velocidade
                 pelo barulho.

As árvores não existem para si mesmas.

Vivem para os outros.

Oferecem-nos a perfeição das flores,
                 o sabor dos frutos,
                 a verde sombra.

Nada nos pedem, são maternais
                 símbolos do amor sem limites.


(Clemente e Henrique Kesselmeier, 1976)

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