3 de fev. de 2026

Equus Ferrum



Sou Cavalo,
mas não desses que correm por instinto.
Sou feito de Metal —
aprendi cedo que liberdade também pesa.

Carrego nas veias
o impulso do horizonte
e nas mãos
a precisão de quem mede o passo
antes de pisar no abismo.

Hoje não corro.
Hoje alinho.

Escuto o chão,
porque até o aço precisa saber
onde se apoia
para não virar arma contra si.

O mundo me provoca pressa,
mas eu respondo com direção.
Nem todo avanço é movimento.
Às vezes, é postura.

Se avanço, é porque escolhi.
Se paro, é porque posso.

Sou Cavalo de Metal:
força que não se exibe,
liberdade que não se explica,
silêncio que sustenta o impacto.

E sigo —
não para fugir,
mas para permanecer inteiro
no próximo passo.


(D. Versus)

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