23 de fev. de 2015

Autobiografia


Era um cara romântico
Tão radical
Que se tornou um solitário
incurável


(Mauro Sta. Cecília)

20 de fev. de 2015

Da natureza do escorpião


Fazer do seu jeito,
corromper se preciso,
mas sempre por uma (sua) boa causa.
Questão de precisão
de vida e de morte
porque o que não é, só pode ser errado.


(Mariza Tavares)

14 de fev. de 2015

Trato


É claro que você corre perigo.
Qual graça teria se fosse diferente?
Sua alma vai se liquefazer,
virar néctar,
descer macia em minha garganta.
É preço justo.
Fruto de negociação honesta.
O fim em troca do deleite.


(Mariza Tavares)
 

9 de fev. de 2015

Assassinato nas Ilhas Gregas


E de repente, lendo algumas páginas daquele livro que encontrei num velho e querido sebo (ainda no plástico apesar de seu suposto lançamento ocorrido há dez anos ou mais, eleito presente de uma amiga), escrito por um garoto com 15 anos na época, deparo-me com esta belíssima carta (ou tenebroso bilhete) na trama..:

"À estimada senhorita Wilkerson

Não quero que fique aflita, querida. Antes,
quero que se prepare para uma longa viagem.
Deve estar se perguntando do que se trata. Trata-se de
um presente que vou lhe oferecer: uma viagem ao
mundo dos mortos.
Conta-se que a deusa Winness teve o privilégio de conhecer
o inferno e ao voltar escreveu: 'Os mortos,
despojados de tudo devido à passagem pelas sete portas,
que lhes permitem atravessar sete barreiras sucessivas,
dormem ao pé da grande barba do inferno,
cobrem-se com pó e alimentam-se de areia. Cercados
por trevas profundas, vigiados por demônios, que
constantemente lhes trazem tormentos... não podem,
para a maior tranquilidade dos vivos, voltar à terra.
A diversão situa-se ao Lago do Urro...'
Minha cara Valkíria, não gostaria de fazer a mesma
viagem da deusa Winness?
Querendo ou não, minha querida, eu te mandarei para o inferno!

UM ABRAÇO:

BELZEBU"


(Joseph Vaughan)

6 de fev. de 2015

Viver Mais



No mundo poluído de hoje
onde tantas florestas se transformam em desertos,
onde tantos rios se tornam esgotos,
onde tantas flores são asfixiadas,
nada mais necessário,
nada mais urgente,
nada mais benfazejo
do que ouvir a lição das árvores,
a lição da vida.

As árvores descem raízes no silêncio da terra.
O homem moderno abandonou as raízes,
esqueceu os fundamentos, esqueceu-se.
Existem sem pátria, sem lar, sem fé,
sem esperança, sem amor.
Não vive, apenas sobrevive.
Não sustenta a vida, apenas luta contra a morte.
Por isso, não resiste às tempestades,
tomba, murcha e desfalece.
É preciso reviver as raízes,
                 reencontrar o fundamento,
                 redescobrir a fonte e a última
                                       finalidade da vida.

As árvores crescem silenciosamente,
sabem esperar, são esperança.

Que exemplo para nosso mundo enlouquecido
                 pela velocidade
                 pelo barulho.

As árvores não existem para si mesmas.

Vivem para os outros.

Oferecem-nos a perfeição das flores,
                 o sabor dos frutos,
                 a verde sombra.

Nada nos pedem, são maternais
                 símbolos do amor sem limites.


(Clemente e Henrique Kesselmeier, 1976)

27 de jan. de 2015

Para que perceba


Talvez eu esteja crescendo
mas talvez eu só esteja perdida.
Não sei se estou subindo ou descendo,
me sinto turvamente compreendida.

Me pediram para escrever mais,
também me pediram para desenhar.
Parece que esqueci como se faz.
Paralisia... Me ensina a andar?

Aonde foi parar o gosto?
Conversar, criar, ver e ouvir.
Some como as expressões no rosto.
Evitei o contato, não posso mentir.

Não estou interessada em drama
então prefiro me restringir.
É um silêncio natural, pois sem alma
não há razão para produzir.
 
 
(Tatá R. da S.) 

15 de jan. de 2015

Nostoi


Sendo os dias e as noites
feitos de breves loucuras
alternadas cá estou
metendo os meus peitos
no fim da festa - tudos e
nadas.
A maioria - os feios - que
tremam as belas, os belos,
com certeza.
Temo eu, mas não a
Natureza,
os ossos e carnes
que me cremam.


(Armando Flávio Rodrigues)

10 de nov. de 2014

Lunáticos in Concert


"Atrevido. Sei que podes mais. Não duvido. Mas são suas doses assim fantásticas, e destemidas.. tens boas aspirações.. e um bom senso para tragá-las. Como os aromas das palmeiras, da chuva e do vinho, que exalam da noite para ti. Teu verde prateado, eterno e galante a esperar o retorno da tua liderança às raízes. Não lute, tua glória será encontrada nos bolsos de tuas calças menos usadas. Nossa lua amarela, tão fria e bela quanto merecemos. Quebramos regras nos amando. O melhor é deleitar-se em véu de minguante enquanto o sol não nos exaspera as infinitudes."


Liessa D. Nora (2008)

9 de nov. de 2014

Detenta Bíblica e o Meu Coração Moleque


"Amo o teu orgasmo. Parece a transmutação de alguma filosofia muito insana protegida pelo teu esquecimento. E adoro quando dorme por cima de mim logo após nossas horas calibradas. Me acostumei a vê-la como um minuto sádico em todos os meus sonhos incongruentes e complacentes. Poderia, por favor, evitar tamanha mudança que sinto estar prestes a correr o risco de acontecer, e manter-se intacta por todas as futuras estações próximas a nós dois? Sei que deixar fluir é o meu primordial mandamento. Mas não quero que te flua para longe. Não me importa o resto. Sou monstruoso, vampiresco, demoníaco, sei, mas... o resgate veio de ti, fique e mantenha minha mente perdida para que eu jamais me encontre mantido no campo de punições íntimas criado pelo crente ser no meu âmago há vidas atrasadas, ainda possuo esperança de escapar desta armadilha elaborada por mim mesmo antes de tornar-me humano. Uma dívida de eras que pretendo cabular, caso contrário a eternidade ainda seria pouco para pagar meus deveres. Minha salvação; meu coração moleque, apaixonado pelo que era esta criatura antes de tornar-se uma detenta bíblica. Quero a prosa das tuas mãos e o amparo dos teus pés, aquecedores, reparando fobias e paranóias. Somente a tua verdade me libertaria. (...) A imaginação reflete humildemente o painel externo do que vivemos. Sangrar na tua companhia seria desfrutar doutrinas. Somente tu seria capaz de amar um garoto morto que atravessou suas próprias correntezas, e desalmado, ergueu a bandeira da vida."

Para Milune.


(Cássio D. Versus / 2007)

Molhado


Perder-se no mar ainda me parece melhor
que firmar-se no lodo...


(Cássio D. Versus)

Cacáustico


"Estou te dando esse bombom pois descobri que os chocolates contém
 catequinas, compostos presentes no chocolate que aumentam o fluxo sanguíneo no giro denteado, rejuvenescendo-o,
ou seja, faz bem pra memória...

Na próxima vez, não esqueça o nosso aniversário."

Estávamos completando uma semana (oficialmente) juntos.

Não houve o oitavo dia...


(Novembro de 2006)

OSN 2,6 10/11 331



Mistérios são músicas 
do universo.

Os deuses cantam, 
vez ou outra.

Quanto a nós, 
nós sempre dançamos.


(Cássio D. Versus)

Certa Hora Vaga


“...mas vou bem apesar das turbulências externas, mantenho-me na minha peculiar serenidade. Estou mediando os problemas dos outros, e achando o mundo fatídico, não te parece também? Crises, desastres... Minha cabeça anda dando piruetas no ar. Estou para fazer um grande exame, e aí só estudo. Nada de foco, ultimamente. Mas estou contigo, e se estou contigo, estou comigo mesma. Mas e tu, como estás? Se em paz, fico nela também. As meninas andam te ocupando com problemas, ainda? Imagino que muitas devam apaixonar-se facilmente por ti, e te culparem por isto depois... afinal és habilidoso com as palavras, sabes bem.. E as mulheres não querem somente o prazer físico, mas o conforto interno (esse um labirinto insondável), algo perto de uma combinação, ou sintonia, entre a intensidade das noites e o desvelo dos dias.“
 

Liessa D. Nora (Setembro de 2008).