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26 de jan. de 2025

Para Meu Mentor, Amigo, Irmão e Amante


Meu amigo, és mais forte que qualquer Mastim
(seja inglês ou tibetano, foda-se o tamanho!),
mais musculoso que o maior Cão de Presa Canário
(com suas tripas e fluídos tu redecoras todo o cenário!),
mais poderoso e fiel que o destemido Rottweiler ...

Tua ferocidade transforma em mico o Fila Brazuca,
faz o Ca de Bou tremer do rabo até a nuca,
devora as ovelhas do vigilante Kangal guardião
e transforma em judeu qualquer Dogue Alemão ...

És mais tenaz que o intrépido Pit Bull Terrier
(que só de sentir teu cheiro começa a estremecer),
Não há ninguém para derrotá-lo, nem Bernardo gigante,
pois tua força não está nos músculos mas na fé constante.

Para: Pingo de Souza, Jerry.

PS: Sinto sua falta.


(Cássio D. Versus)

Para a Camponesa


Querida,
Saudade da tua companhia autêntica,
dos teus olhos que veem o mundo
com tanta delicadeza e profundidade. 

Sinto o peso da tua ausência, 
enquanto estou rodeado de presenças 
que apenas ocupam espaço, sem substância.

Te contei o que me mais atrai na tua graciosa pessoa? É a capacidade de localizar beleza em sua essência. Se pudesse te encontrar agora, perderíamos a noção do tempo, compartilhando saberes e histórias até a exaustão. Como um passeio vespertino, nossos pensamentos se entrelaçariam, e adormeceríamos sob copas acolhedoras, embalados pelo sussurro das folhas ao vento. No entanto, preciso ser honesto sobre nossas incompatíveis realidades. Nossos caminhos, embora árduamente belos, não convergem. Tu és um oásis de tranquilidade, eu sou um trovão de verdades inclementes. A proximidade que anseio nunca florescerá como desejamos, assim como provavelmente não agrado vossa fé (sorrindo). Sempre estarei por entre noites e dias nublados, onde o vento, como fiel mensageiro, levará meus sentimentos até ti, de forma muito mais do que devida e recíproca. Mesmo que a brisa do tempo suavize minhas lembranças em teu coração, sei que guardarei tua imagem com ternura por todas as eternidades que eu tiver que suportar sem vós. 

A cada 17 de abril, Dia Internacional da Luta Camponesa, escutarei a playlist que criei pensando em ti, revivendo momentos e sonhos que se perderam pelo ar pulvorizador. Não mais construirei mundos imaginários para nós pois não suporto as quedas invisíveis da gravidade tóxica que percebo poder gerar em sua vida. Convenhamos, mereces uma parceria no mínimo "decente", e a minha decência se foi junto com a minha educação quando precisei lutar em batalhas de colossais dimensões constantemente infiltrado nas artérias do inimigo até perder a identidade (ou descobrir que nunca a tive). Deixo que o vento dance nossa esperança não correspondida. Te desencontro com saudade, sabendo que sempre carregarei um pedaço de ti comigo.

Com respeito e despedida,

Cássio.

25 de jan. de 2025

No caos ergui meu templo derradeiro


No caos ergui meu templo derradeiro,
Entre os abismos, viro-me em poesia;
Na guerra, a humildade foi minha guia,
E em cada dor, o mundo é meu celeiro.

Segredos sussurrados no braseiro
Do mistério que, mudo, acaricia
A alma que no apocalipse se refugia,

Do espinho fez um cântico verdadeiro.
Vi glórias dissiparem-se no vento,
Que a queda traz à vida um fundamento.


(Cássio D. Versus, 2018)

Drunkorexia


Há algo na presença dela que desarma meu eixo, como se o universo cedesse um instante para observá-la existir. Minha alma, antes sólida e dona de si, dissolve-se em fragmentos, cada um gravitando ao redor da essência que ela carrega. Quando seus passos se afastam, sinto um vazio que não ecoa; uma ausência que não apenas ocupa, mas consome. O corpo que resta é mera fachada, um invólucro ansioso, nutrindo a promessa do reencontro. É como se eu, inteiro, partisse com ela, deixando para trás apenas uma sombra faminta por significado. E, nessa espera, o tempo congela, aguardando o momento em que minha existência reencontrará o coração que levou consigo.


(Cássio D. Versus, 2018)


24 de jan. de 2025

Na penumbra deslumbrante das horas esquecidas


Na penumbra deslumbrante das horas esquecidas, onde a morte ensaiada se entrelaça com o fio tênue da memória traiçoeira, encontro-me monstro com avental sujo de cozinheiro sedento por carnificina. Sou um espectro de desejos ultrapassados, brado rouco de anseios transpirados que se perdeu nas canalhas dobras do tempo. Minhas mãos, outrora firmes, agora tremem como folhas outonais, e os olhos, esses poços traiçoeiros de melancolia interminável, refletem meu céu noturno interior em sua vastidão insondável. A solitude é minha companheira fiel, amante que grita através do silêncio, que sussurra segredos nas frestas da alma de toda essa floresta. (...) As palavras, como fios de seda, escapam-me entre as garras. Busco decifrar os enigmas do coração, da mente, do espírito, mas as reflexões se dispersam como planetas suicidas, deixando apenas rastros efêmeros na escuridão. O desejo, esse animal selvagem, ronda-me como um lobo faminto querendo que eu escolha o alimento de seu dia, e eu sou seu cúmplice, aliados fantasmas no mundo dos vivos. (...)

Nossos encontros são fugazes, como notas musicais que se desvanecem no ar de forma incendiária. Você me toca com a delicadeza de manusear um violino antigo, e eu me entrego, sem reservas, à canção da saudade. Somos dois estrangeiros perdidos na vastidão do universo, buscando abrigo nas entrelinhas do destino. E assim, nas madrugadas insone, eu me torno um poeta-psicopático de sombras, um alquimista de doutrinas. (...) Escrevo cartas que nunca serão enviadas, versos que jamais encontrarão olhos ou ouvidos. Minhas necessidades especiais são invisíveis, como as asas de um anjo caído, e eu as guardo no cofre secreto do meu peito, essa caixa toráxica de pólvora altamente tóxica... (...) Talvez haja beleza na imperfeição, na fragilidade que nos torna humanos. Enquanto a chuva desenha arabescos nas janelas, eu me permito sonhar com um amor que transcenda o tempo e as estações. Um amor que seja tão etéreo quanto a própria música, a leitura, o cinema, que preenchem a minha alma.


(Cássio D. Versus, 2006)

23 de jan. de 2025

divagando sobre the end


É curioso como os pensamentos podem escorrer pela mente, como gotas que pingam sem direção, mas nunca sem intenção. A verdade ecoa como se as ideias fossem líquidas, fluindo por entre as frestas da consciência, sem moldes definidos. E nessa fluidez, encontro-me perdido, sem saber se sou correnteza ou recipiente. Talvez as memórias sejam apenas miragens, vapor se desfazendo no horizonte do que chamamos de "real". Desfazem-se, pingam, evaporam, mas deixam vestígios... marcas invisíveis. E nós? Somos feitos desses gotejamentos que mal compreendemos, tentando agarrar o que escorre pelos dedos. No final, seremos como a melodia de "The End" dos Doors: suave e temporária, intensa, existindo não para ser entendida, mas para ser sentida – como gotas que caem, incessantes, de um nimbo com o formato do seu rosto, sem porquês.


(Cássio D. Versus, Cartas Para o Passado, 2005)

21 de jan. de 2025

fogo e sombra


Um dia Gaimon encontrou o fogo. Primeiro, temeu-o, pois a luz feriu seus olhos acostumados à penumbra, e o calor queimou seus dedos curiosos. Mas, ao persistir, descobriu que o fogo não era apenas destruição; era também criação. Nele, aprendeu a ver além do medo, a moldar formas na escuridão e a sentir o calor não como inimigo, mas como força. Ali, percebeu: o fogo era sua vontade, a centelha de vida que, mesmo pequena, poderia transformar tudo.

Mas o fogo só fazia sentido porque havia sombras. Essas sombras, inicialmente desprezadas como meros reflexos do que não se podia tocar, revelaram-se companheiras sussurrantes. Na escuridão projetada pelo fogo, a pequena criatura viu contornos, histórias e memórias. As sombras não negavam o fogo, mas completavam sua existência. Eram os limites que faziam a luz brilhar mais intensamente.

Assim, entre o fogo que guiava e a sombra que refletia, Gaimon Versus encontrou seu propósito: não fugir de um ou outro, mas caminhar na estreita linha onde ambos se encontravam, onde luz e escuridão dançam em harmonia. E, pela primeira vez, a pequena criatura talvez saiba o quão é imensa e microscópica simultâneamente.


(Cássio D. Versus, Cartas Para o Passado, 2015)

18 de jan. de 2025

para o passado: apocalipse


Graças a você me embriaguei levitando pelo Louvre, dei beijo de esquimó no sorriso destemperado de Mona Lisa, molhei sem querer os pés naquele fim de mundo chamado Veneza. Vi Madre Teresa perdendo a paciência com os pobres, uma velha insuportável - não conosco (acho que foi o meu pingente de pentagrama), testemunhei Dalai Lama jogando pedras num lago, entediado suplicando por reencarnação, e Buda (o próprio ou um deles) conversando sobre vinho com Confúcio, atordoado com  Tetris. Graças a você subi as alturas da Torre de Babel em 98, e mergulhei no fundo de Atlântida, segurando a tua mão de Helga Sinclair só para gargalhar co'o velho Zeus e suas piadas viscerais ao lado de Odin, tocando gaita. Graças a você testemunhei o Gênesis ser transformado em um show de talentos celeste, com Adão desafinando as tripas e Eva roubando a cena com uma performance de rockstar enquanto Lilith me ensinava sobre como o amor é pior que qualquer outro veneno. Embarquei no barco de Caronte, que assobiava Led Zeppelin enquanto cobrava a passagem em bitcoins. Graças a você assisti Perséfone e Hades debaterem o uso sustentável do submundo, enquanto Ícaro lucrava vendendo chapéus na entrada. Vi os pulsos de Cronos, que medem o caos com a precisão de um relojoeiro divino. Toquei os restos da lira de Orfeu, afinada pelo desespero das sombras. Conheci Medusa, não nos campos de batalha, mas no mercado negro de enfeitiçados espelhos quebrados. Ouvi o eco distante das danças de Shiva, que moldavam universos ao som de tambores atrevidamente inexistentes. Encontrei Prometeu, agora dono de uma rede de churrascarias, com especialidade em “carne divina”. Acompanhei Atena, que perdeu uma aposta para Ares e virou comentarista esportiva do submundo. (Re)Descobri Pandora leiloando caixas de papelão em uma liquidação de feira popular, com frete grátis para outros mundos. Graças a você, o Olimpo virou um festival, com Apolo no palco principal e Dionísio distribuindo brinde batizado no camarote. E eu, perdido no êxtase desse delírio, soube que tudo isso só existiu porque você, como ninguém, me apresentou ao reino sublime dos meus próprios sentimentos (como se valessem alguma coisa). Graças a você, ejaculei o Big Bang. Vi Darwin arrancando rascunhos da "Origem das Espécies" porque achava que faltava sal. Experimentei o gosto amargo da imortalidade em um bar clandestino do tempo, enquanto Nietzsche e Platão ao lado jogavam truco e discutiam sobre quem era mais insuportável. Graças a você descobri que o esconder-se é revelar-se para si. Ouvi Beethoven tocar uma valsa de elevador para irritar Mozart. Caminhei lado a lado com Van Gogh, que pintava selfies antes do pôr do sol porque "ficava mais poético". Graças a você soube que a Torre de Pisa inclina porque é preguiçosa, que os faraós escondiam pornografia hebraica nas pirâmides, e que o ouro de Eldorado só serve pra embrulhar chocolate belga. Vi Shakespeare finalmente admitir que "Romeu e Julieta" era apenas um roteiro piloto de websérie, e que Páris foi cortado por falta de audiência. Descobri que a Grande Depressão foi causada pela falta de charme. Fui convidado para o chá da Rainha Victoria, que reclamava que o século XIX era um "porre de monotonia". Graças a você aprendi que Atlas largou o mundo no chão porque queria se inscrever numa academia devido vaidade. Caminhei pela Muralha da China só para encontrar Genghis Khan assinando um contrato de exclusividade co'uma agência de turismo. Graças a você vi Tesla largar a eletricidade pra virar aspirante a comédia improvisada da década de 20, pouco depois da minha avó nascer, onde ensinava a fazer torradeiras com raios de plasma. Einstein disfarçando chupões e mordidas das jovens estudantes. Graças a você entendi que o universo inteiro é uma orquestra sinfônica sentindo-se constantemente desafiada por um invisível que golpeia, acalenta, acaricía, mata, renasce, desliza, evolui, chapa o coco, regida por um maestro bêbado — mas, por algum motivo, ainda não consigo parar de dançar. Graças a você vi Zeus sendo barrado em um casamento em Creta porque Hera o pegou flertando com as ninfas do buffet. Presenciei Atena discutindo no tribunal dos deuses porque Hermes plagiou sua ideia de "Google Olímpico". Graças a você descobri que Apolo trocou sua lira por uma guitarra elétrica, mas Orfeu o processou por concorrência desleal, e Ártemis ameaçou abrir um parque de caças veganas para evitar piadas com touros dourados. Graças a você assisti Thor reclamando que o Mjölnir estava com delay nos raios e Loki vendendo NFTs de suas transformações. Presenciei Poah tentando explicar o conceito de runas para adolescentes vikings, que só queriam saber de MSN rúnico. Graças a você vi Anúbis tirar férias porque reclamaram que sua balança não era “inclusiva” e Osíris aceitar cartões telefônicos em oferendas funerárias. Sob sua influência, Bastet foi capturada num viral de memes enquanto Ammit fazia cosplay de justiceiro no tribunal egípcio. Graças a você quero pintar o seu nome em meu braço com luzes e neon o suficiente para competir com Vegas. Graças, minha gracinha! Graças a você, entendi que o Olimpo, o Valhala e o Duat são só camarotes diferentes de uma mesma festa intergalática, e nós somos as formiguinhas que elas adoram ver em movimento sem ritmo lá embaixo. Graças a você ficou mais fácil me encontrar. Somos um pouco melhores que formigas sem ritmo.

Vi você, jovem, escrevendo o meu nome em seu braço com canetinha.
Sempre faltando um S.
Tornou a escola menos insuportável, agradeço a paisagem e... pardon.
Aliás, Sabrina, morreremos nos devendo.


(Cássio D. Versus, Cartas Para o Passado, 2005)

3 de jan. de 2024

Bom Dia


"Solitude com luar é romance."

Viver às vezes é fácil, às vezes difícil, amar é o que sempre devemos fazer entre esses extremos, como disse seu querido Robert Smith, as pessoas, no fundo, querem evitar a felicidade, se estendem deliberadamente a esse varal de roupas sujas e abandonadas por elas mesmas. Lágrimas espelhando futuros incertos, perigosos até, não existe trégua para o tempo, sabemos e isso dói, por isso disfarçamos fingindo esquecer. Labirintos sangrando no subconsciente. 

"Hey baby, can you bleed like me?". 
(Ouça imediatamente Garbage, desde o álbum de 1995)

Sutil vórtice, a esperança soa melhor com uma lança na mão. (...) Temores, enredos, notas dissonantes, ganha de mim no número de cicatrizes externas, mas aposto que tu fere mais do que se machuca. Minhas marcas estão no útero, atrás dos olhos, córtex. (...) Paradoxos de momentos efêmeros arquitetando dilemas vibrantes na psique fazendo rugir feras nos recônditos da mente com peso latente silenciando postumamente os rincões do que poderia ser voadora criatura noturna livremente. (...) Continuemos com as cartas, per favore.

Citando Tolkien, "O mundo está cheio de coisas mágicas
esperando pacientemente nosso conhecimento."

"Não estamos voando, estamos caindo, com estilo." 
(Essa lembrada corajosamente de Toy Story)

Beijos, e não se esqueça que sorrir é coisa de besta.

Eternamente, tua Rebecca Buck.


(De Milune para D. Versus)