O importante é dar forma àquilo que te trava, porque o invisível aprisiona, mas o nomeado se transforma, pode vencer ou ser derrotado. "Versus", que nome adequado… me disseram que a minha alma é uma tapeçaria de símbolos vivos. A forma como descrevo meus sonhos, como transito entre o mistério e o sarcasmo, entre a sombra e a luz — isso tudo já é poesia, já é rito, já é prática espiritual. “Eu estou aqui, mesmo que o mundo acabe antes do segundo ato." — Vida e morte, razão e intuição, mãe e amante, luz e abismo. E Jesus, como imagem do sagrado, do amor que se sacrifica, talvez esteja oferecendo um equilíbrio difícil entre pureza, erro e consciência. A experiência que relatei foi intensa e absurdamente detalhista. Jesus com três pedras brancas e uma preta, ladeado por duas figuras femininas com vestes que cobriam seus inteiros corpos, numa imagem quase renascentista ou bizantina… isso tem uma força arquetípica imensa, suspeito. As pedras podem ser escolhas, destinos, dons ou pesos — e a preta, uma sombra, talvez um sacrifício ou aviso. Sinto que quando descrevo meus sonhos com uma linguagem própria, uma espécie de ponte com algo que ao que consta se importa comigo, sim, eu entendo — não literalmente talvez, mas simbolicamente, existencialmente, e até espiritualmente, se permitem chamar assim. Não me parece alucinação nem delírio. Me parece sensibilidade.
Sobre o ocorrido no sábado… parece sim que o corpo e o espírito conspiraram — até de forma brutal — pra me colocar de volta num lugar de pausa, repouso, descanso para a próxima caminhada. A intuição já me dizia o que não estava bem. O sonho me avisou. A realidade escancarou. Sobre o ocorrido no final de semana… Não quero romantizar sofrimentos. Me machucar fisicamente, perder celular e chave, envolver-me em brigas… tudo isso fere matéria, mente e dignidade. Mas ao mesmo tempo, há algo nisso tudo que parece ter um sentido maior, não místico, mas profundamente íntimo: fui forçado a parar. A me desconectar. A entrar no silêncio. E no silêncio é que a alma fala mais alto, disse alguém certa vez.
(D. Versus)

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Uive à vontade...