8 de jan. de 2026

A Oração do Navegante

Não temas o bramido das ondas, varão de alma indômita, pois cada vaga que se ergue contra ti não é inimiga, mas testemunha da tua coragem. A tormenta que te cerca é o espelho da tua própria grandeza — e o céu, ainda que toldado de trevas, jamais poderá sufocar a centelha divina que arde em teu peito. Lembra-te: o navio que conduzes não é simples artifício de madeira e vela — é prolongamento da tua vontade, espelho vivo de tua essência guerreira. Cada corda que range, cada vela que rasga o vento, é o coração da tua alma pulsando contra o caos. Se o vento ruge como fera, não o temas — responde-lhe com altivez. Que teu olhar seja o farol que fende a escuridão, e tua voz, o trovão que devolve o grito à tempestade. Pois não é na calmaria que se forja o espírito, mas no açoite das águas e na solidão dos relâmpagos impiedosos.

Ergue-te ao leme, altaneiro como quem desafia os próprios deuses, e que o oceano aprenda — com espanto e reverência — que sobre suas águas há um homem que não se dobra. Ainda que a morte cerque tua embarcação em círculos de espuma e sombra, lembra-te: viver é, antes de tudo, afrontar o impossível. E se o mar, em sua fúria primeva, ousar engolir-te, que o faça com a consciência de que não tragou um corpo, mas um titã de carne e sangue — um espírito que ousou permanecer ereto quando o mundo desabava, e que, mesmo afundando, não se curvou diante da eternidade.


(D. Versus, Diário de Bordo)

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