25 de out. de 2011
19 de out. de 2011
A uma freira que satirizando a delgada fisionomia do poeta lhe chamou "Pica-Flor".
Se Pica-Flor me chamais,
Pica-Flor aceito ser,
Mas resta agora saber,
Se no nome que me dais,
Meteis a flor que guardais
No passarinho melhor!
Se me dais este favor,
Sendo só de mim o Pica,
E o mais vosso, claro fica,
Que fico então Pica-Flor.
(Gregório de Matos)
18 de out. de 2011
(...)
Não corras atrás do
passado,
Não busques o futuro,
O passado passou.
O futuro ainda não
chegou.
Vê, claramente, diante
de ti o Agora.
Quando o tiveres
encontrado
Viverás
o tranquilo e
impertubável estado
mental.
"a jangada é um meio para se atravessar, não para se guardar."
- Pensamento Budista
Espumas Flutuantes
SUB TEGMINE FAGI
(...)
(...)
A lua — traz um raio para os mares...
A abelha — traz o mel... um treno aos lares
Traz a rola a carpir...
Também deixa o poeta a selva escura
E traz alguma estrofe, que fulgura,
Pra legar ao porvir!...
A abelha — traz o mel... um treno aos lares
Traz a rola a carpir...
Também deixa o poeta a selva escura
E traz alguma estrofe, que fulgura,
Pra legar ao porvir!...
(...)
- Castro Alves, Boa Vista - 1867
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Poesia
"Mas a poesia nunca foi tão boa
quanto na época em que tinha que ser feita só com três palavras."
(Paulo Leminski, Gozo Fabuloso)
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4 de out. de 2011
PARE DE PENSAR
PARE DE PENSAR
PARE DE PENSAR
PARE DE PENSAR
PARE DE PENSAR
PARE DE PENSAR
PARE DE PENSAR
PARE DE PENSAR
PARE DE PENSAR
PARE DE PENSAR
PARE DE PENSAR
PARE DE PENSAR
PARE DE PENSAR
PARE DE PENSAR
PARE DE PENSAR
PARE DE PENSAR
- - - - - - - - - - - - -
\/\/\/\/\/\/\/\/\/
debaixo do tronco
amargor do anjo bronco
- toda raíz está para estar,
ele dizia,
o mundo acontece
PARE DE PENSAR
(Cássio D. Versus)
PARE DE PENSAR
PARE DE PENSAR
PARE DE PENSAR
PARE DE PENSAR
PARE DE PENSAR
PARE DE PENSAR
PARE DE PENSAR
PARE DE PENSAR
PARE DE PENSAR
PARE DE PENSAR
PARE DE PENSAR
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debaixo do tronco
amargor do anjo bronco
- toda raíz está para estar,
ele dizia,
o mundo acontece
PARE DE PENSAR
(Cássio D. Versus)
5 de set. de 2011
Os Materiais
Eu quis a palavra reta
feito faca.
Eu fiz do verso o corte brando
do metal.
O lento sal dos anos
não lhe roube o fio.
O inimigo não possa
empunhá-lo durante a luta.
Se o carrasco, algum dia,
levar aos lábios meu poema,
o vidro claro do verso
lhe corte a boca.
E a palavra não se renda
à tortura.
E quando eu disser: pedra,
não se entenda pão.
Quando eu disser: noite,
se encontre nela todo poder de treva.
Quando eu disser: eis o inimigo,
mate-o antes do amanhecer.
(Do livro "Poemas do Povo da Noite", de Pedro Tierra)
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Poemas do Povo da Noite
Ferrabrás?
evite desperdícios, a vaidade,
não se corte,
deixa o sangue escorrer
deles como seu guia
na boca fria da morte...
(Cássio D. Versus)
Pássaro
Aquilo que ontem cantava
já não canta.
Morreu de uma flor na boca:
não do espinho na garganta.
Ele amava a água sem sede,
e, em verdade,
tendo asas, fitava o tempo,
livre de necessidade.
Não foi desejo ou imprudência:
não foi nada.
E o dia toca em silêncio
a desventura causada.
Se acaso isso é desventura:
ir-se a vida
sobre uma rosa tão bela,
por uma tênue ferida.
(Cecília Meireles)
Lua Adversa
Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
(Cecília Meireles)
Canção do Amor-Perfeito
Eu vi o raio de sol
beijar o outono.
Eu vi na mão dos adeuses
o anel de ouro.
Não quero dizer o dia.
Não posso dizer o dono.
Eu vi bandeiras abertas
sobre o mar largo
e ouvi cantar as sereias.
Longe, num barco,
deixei meus olhos alegres,
trouxe meu sorriso amargo.
Bem no regaço da lua,
já não padeço.
Ai, seja como quiseres,
Amor-Perfeito,
gostaria que ficasses,
mas, se fores, não te esqueço.
(Cecília Meireles)
2 de set. de 2011
Epopéia
Céu.
Que céu?
O céu é quimérico.
Nuvens não.
Ah, com certeza as nuvens não!
Elas passeiam, dançam, choram
ora de contentamento
ora de desalento
ora de fereza
certas vezes
são tão generosas
que emascaram o sol
tornando assim
todo o horizonte conspícuo...
Nuvens são tão verdade.
Que céu?
O céu é quimérico.
Nuvens não.
Ah, com certeza as nuvens não!
Elas passeiam, dançam, choram
ora de contentamento
ora de desalento
ora de fereza
certas vezes
são tão generosas
que emascaram o sol
tornando assim
todo o horizonte conspícuo...
Nuvens são tão verdade.
(Cássio D. Versus)
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