Entre as raízes da noite, quando o silêncio se perfuma de orvalho e segredo, a floresta desperta em murmúrios antigos. O vento, cúmplice dos deuses esquecidos, sopra nomes que já não se pronunciam. E então — sob o olhar pálido da lua — elas surgem.
As filhas do éter, vestidas de bruma e saudade, giram em círculo, como se o próprio tempo lhes obedecesse. Suas vestes, feitas de aurora atrasada, tremulam como preces líquidas. Seus risos não soam: ressoam — vibram nas pétalas, no musgo, nas águas imóveis do lago, onde o reflexo lunar observa com fascínio e ciúme.
Há algo de rito e de condena em cada passo; algo entre o êxtase e o exílio. Pois dançam não apenas por alegria, mas por memória — lembram, com seus corpos, o pacto antigo entre a terra e o céu, entre o efêmero e o eterno.
A noite as envolve como um altar, e a lua, soberana e gótica, derrama sua luz como bênção e sentença. E assim seguem — órbitas humanas de um cosmos encantado — até que o primeiro raio do sol, sempre invasor, venha profanar o milagre.
Então, uma a uma, desvanecem no hálito das folhas.
Mas o ar… o ar ainda dança.
(D. Versus)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Uive à vontade...