Sou Cavalo,
mas não desses que correm por instinto.
Sou feito de Metal —
aprendi cedo que liberdade também pesa.
Carrego nas veias
o impulso do horizonte
e nas mãos
a precisão de quem mede o passo
antes de pisar no abismo.
Hoje não corro.
Hoje alinho.
Escuto o chão,
porque até o aço precisa saber
onde se apoia
para não virar arma contra si.
O mundo me provoca pressa,
mas eu respondo com direção.
Nem todo avanço é movimento.
Às vezes, é postura.
Se avanço, é porque escolhi.
Se paro, é porque posso.
Sou Cavalo de Metal:
força que não se exibe,
liberdade que não se explica,
silêncio que sustenta o impacto.
E sigo —
não para fugir,
mas para permanecer inteiro
no próximo passo.
(D. Versus)
