21 de nov. de 2025

The Sound of Love


Our love (love), our love (love)
Love, the sound of love
Love, the sound of love
Playing in my mind
Playing when i find you
Our love (love), our love (love)
love, the sound of love
love, the sound of love
playing in my mind
playing when i find you

(Husky Rescue)

18 de nov. de 2025

Me Disseram Ontem


“Transmitir a Verdade é seguir o caminho do amor.” - uma daquelas frases que soam elevadas demais para serem questionadas, mas que desabam como castelos de areia sob a maré do pensamento crítico Vamos começar por onde dói: "a Verdade". Assim, com V maiúsculo, como se existisse uma só, pura, intocada, esperando por corações nobres para ser entregue aos outros como quem distribui pão quente aos famintos. Só que a Verdade (se é que existe) não é uma pomba branca. É mais como um corvo: suja, inquietante, às vezes carregando pedaços de carne pútrida de outras verdades.

“Transmitir a Verdade” sugere que você a possui, que a compreendeu em sua completude. Uma posição arrogante disfarçada de virtude. Afinal, quem acredita ter a Verdade costuma, na prática, ter apenas uma narrativa bem polida pela sua experiência pessoal, ideologia, fé ou vaidade intelectual. Agora, o mais curioso é atrelar isso ao “caminho do amor”. Amor de quem? Amor romântico? Amor platônico? Amor próprio? Ou aquele amor cristão abstrato e genérico que serve pra tudo, mas não resolve nada? Muitas vezes, transmitir a chamada “verdade” é um ato de guerra - não de afeto. Amar, por sua vez, exige silêncio, escuta, dúvida - três inimigos mortais da ideia de verdade absoluta.

Na prática, quem jura transmitir a verdade por amor, frequentemente está impondo convicções pessoais em nome de um bem que o outro sequer pediu. E o mais cruel: pode fazer isso sorrindo, com ternura, enquanto sufoca lentamente a liberdade alheia. Talvez o mais honesto seria dizer:

“A Verdade que você transmite pode ser só o eco da sua vaidade
e o amor, um disfarce para o controle.”

Agora, deixe-me refletir:

E se o verdadeiro amor fosse justamente não dizer a sua verdade, 
mas suportar a do outro em quietude?


(D. Versus)

Palavras do Tabuleiro


CÉREBRO DORMENTE
ESPÍRITO QUE MENTE
MONSTRO SENDO GENTE
E TU QUEM É?
ANTIGAMENTE
INSTINTO ERA PASTOR
E A NATUREZA OBEDIENTE
  

11 de nov. de 2025

Ontem me disseram algumas coisas


A velha máxima piedosa: "Façamos com os outros aquilo que gostaríamos que fizessem para a gente." Primeiro, esta baboseira parte de uma presunção narcísica: a de que o nosso desejo é universalmente benéfico. Como se o que queremos para nós fosse, por algum milagre ético, o que todos desejariam também. Mas quem disse que nossos anseios são nobres? E se o que eu quero é ser deixado em paz, mas o outro anseia por proximidade? E se eu gosto de silêncio, mas o outro implora por barulho? A empatia aqui é preguiçosa: não é sobre entender o outro, mas sobre projetar meu mundo interno no corpo alheio. Trata-se, na prática, de uma colonização emocional.

Além disso, essa frase ignora o abismo da alteridade. O outro não é um espelho - é um estranho, cheio de códigos, traumas, vontades e distorções que não cabem no nosso molde de moral customizado. Agir com base no que EU gostaria não é bondade - é vaidade disfarçada de virtude. Em termos filosóficos, trata-se de uma falácia empática: confunde equidade com espelhamento. A jogada verdadeira começa onde eu reconheço que o outro pode querer exatamente o oposto do que me agrada - e ainda assim merece consideração. Qualquer coisa diferente disso é uma moral de almanaque, pronta pra enfeitar o discurso dos que se dizem justos enquanto pisam com suavidade no que ignoram.

No fim, talvez devêssemos rasurar a frase e reescrevê-la:
"Façamos com os outros o que eles precisam — não o que nos conforta."

E aí, a pergunta que fica é: Deve-ser ter a audácia de perguntar ao outro o que ele realmente quer? Ou melhor continuar "amando" como quem oferece flores a um alérgico - com boas intenções e nenhum entendimento? Ah, o clássico veneno açucarado da moralidade: “Amar ao próximo como a si mesmo.” Uma das frases mais citadas e menos compreendidas da história humana - justamente porque se baseia numa ficção emocional digna de roteiristas hollywoodianos em crise de fé. Primeiro: quem, em sã consciência, ama a si mesmo? A frase parte da pressuposição de que o amor-próprio é uma constante saudável e existente em todos, quando, na realidade, boa parte da humanidade mal se tolera no espelho. Fica mais fácil se olhar numa tela e deslizar os filtros. Se amar ao próximo na mesma medida do amor que se tem por si é o critério, então prepare-se para relações recheadas de autossabotagem, culpa e rejeição velada. E tem mais: o mandamento ainda pressupõe que o “próximo” é um ente simpático, um semelhante digno. Mas o próximo raramente é um amigo: é o vizinho barraqueiro, o colega invejoso, o estranho que odeia tudo o que você aparenta representar. Amar esse “próximo” exige um esforço que beira a mutilação interna, especialmente quando seu amor-próprio já vem dilacerado.

E o que é amar a si mesmo, afinal? É se mimar? Se disciplinar? Se proteger da dor ou se permitir senti-la e com ela todos os aprendizados que os mais afortunados de forma infeliz não os possuem? Essa equação mal formulada joga a responsabilidade do afeto em cima de um conceito escorregadio e mal resolvido. Pior: transforma o amor em obrigação moral, não em encontro genuíno. A verdade nua, esfolada e crua é que essa frase serve mais para alimentar a culpa dos que não conseguem amar (nem o outro, nem a si), do que para guiar algum tipo de iluminação relacional. É um idealismo emocional vendido como bússola (quando, na prática, é um labirinto metódico).

Então talvez seja mais honesto dizer:
“Aprenda a nadar em si antes de tentar salvar alguém de qualquer naufrágio.”
Sei lá. Será que o amor é mesmo a união de mundos ou apenas um instinto
que romantizamos por pavor do abandono? Poderia o medo gerar bons frutos?


(Diário de Bordo)

...

7 de nov. de 2025

Deambulações do Percurso


Estava em um templo, não daqueles antigos, mas algo híbrido: arquitetura fria, metálica, com vitrines ao invés de vitrais. O púlpito era suspenso, como uma plataforma flutuante. Lá estava ele: uma espécie de pastor, líder, porta-voz, enfim. Roupa social, microfone sem fio, olhos em transe. Ele não falava em português, nem em qualquer língua terrestre, mas eu compreendia (como se o sentido fosse direto à consciência). A platéia... não era humana. Eram seres altos, sem boca visível, olhos negros e pele azul-acinzentada, fosca, como o céu de um planeta cansado. E, estranhamente, estavam atentos. Sérios. Alguns até... emocionados? O pastor bradava sobre salvação. Dizia que Jesus não era exclusivo da Terra, mas um emissário cósmico, enviado para corrigir o “erro do livre-arbítrio disseminado pelo universo”. Ele falava de Lúcifer como um programador rebelde. Citava passagens bíblicas como se fossem coordenadas estelares. Num momento, ergueu uma Bíblia (que brilhava com uma luz dourada que pulsava como coração). E os alienígenas começaram a emitir um som gutural. Parecia um cântico. Em uníssono. O sonho terminou com todos ajoelhados, inclusive o pastor, em silêncio total. Algo estava chegando do céu, não uma nave, mas uma presença. E antes que ela descesse, acordei.


(Diário de Bordo, 01/11/25)

3 de nov. de 2025

Os Bruxos de Westchester


"Apareça, demônio amado,
E verte a nós o teu sangue!

Tu que és todo sagrado,
faz com que a vida se estanque!

Seremos os teus seguidores
sempre fiéis, combatentes...

Pois tu livrarás as dores
de todos aqui presentes!"


(Tom DeFalco, Os Torpedos)